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Carlos Santos Ferreira, presidente do maior banco nacional, fala pela primeira vez da actual tempestade financeira.
Carlos Santos Ferreira, presidente do maior banco português, a Caixa Geral de Depósitos (CGD), disse, em entrevista exclusiva ao Diário Económico, que segue com enorme atenção a crise do ‘subprime’, uma obrigação para qualquer grupo financeiro, mas garante que, para já, o banco estatal não foi afectado. A Caixa não tem problemas de financiamento, ou de liquidez e, a não ser que esta crise financeira se agrave, tão pouco prevê rever em baixa as suas metas para a concessão de crédito, assegurou Santos Ferreira.A Caixa Geral de Depósitos (CGD) está preocupada com a crise financeira do ‘subprime’ e com o impacto que esta pode ter no mercado português?
Esta crise financeira está a obrigar a Caixa a ter muita atenção. E quem disser o contrário, não estará a dizer a verdade.
Por força da nova conjuntura internacional, a CGD sentiu a necessidade de rever em baixa os seus ambiciosos objectivos de concessão de crédito?
Não revimos ainda e se a situação não se agravar não pretendemos rever os objectivos fixados. Não vamos reavaliar os objectivos em nenhum segmento da carteira de crédito, nem no das autarquias.
A CGD sente, neste momento, por força da crise do ‘subprime’ alguns problemas de financiamento?
A CGD está a recorrer ao mercado monetário, como julgo que se está a passar com todos os bancos portugueses e estrangeiros. Depois do caso do Northern Rock, a Caixa está mais folgada porque as pontas de excesso de liquidez estão a ser colocadas junto de nós. O rácio de transformação [crédito/depósitos] tornou-se no principal critério para avaliar os bancos e como a CGD tem um bom rácio, próximo dos 115%, está a beneficiar.
A Caixa não tem problemas de liquidez, é isso?
Desde o Northern Rock, como acabei de explicar, que o critério para avaliar a solidez dos bancos, não sei se bem ou mal, é o rácio de transformação, portanto, como o da CGD é baixo, passámos a ter um maior afluxo de meios.
E tem comprado esse dinheiro mais caro?
Mantivemos o preço do dinheiro, sendo que, no início da crise, os prazos encurtaram. Agora, estão a normalizar.
Teme problemas de liquidez, no futuro?
Não, graças a Deus, a menos que ache esta resposta pouco republicana e laica.
E sentiu alguma retracção na procura de crédito?
No crédito à habitação, não estamos a sentir. Do lado das empresas, sentimos, sim, o adiamento da emissão de papel comercial.
A Caixa está a conseguir satisfazer todos os pedidos de crédito?
Todos.
E, na sequência desta crise, a Caixa sente a necessidade de ser mais selectiva na sua política de concessão de crédito?
Mais do que selectividade, estou convencido que se assistirá a um ‘repricing’ [aumento do preço] do dinheiro, tal como já foi referido pelo dr. Vítor Constâncio [governador do Banco de Portugal].
E, em relação aos fundos de investimento, a Caixa constata um aumento dos pedidos de resgate e, por força disso, teme algum problema de liquidez?
Não. O aumento dos pedidos de resgate têm sido acompanhados de uma concentração nos depósitos a prazo e na subscrição de produtos financeiros com taxa garantida. O balanço é positivo.
E ao nível dos fundos de tesouraria, também não se verificaram problemas?
Os fundos de tesouraria sofreram alguns abalos, mas apresentam rendibilidades positivas.
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