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O regulador da bolsa espanhola anunciou que existem pelo menos 14 fundos expostos ao ‘subprime’.
A crise financeira dos créditos de alto risco (‘subprime’) chegou a Espanha, o principal cliente das exportações portuguesas e principal investidor directo estrangeiro em Portugal.Apesar do crescimento robusto – 3,7% previsto para este ano – os economistas frisam que a economia espanhola, a quarta da zona euro, é das que mais cuidados inspiram no actual contexto de crise financeira, uma vez que a sua expansão está muito dependente da construção e venda de casas – o sector emprega cerca de 13% da população activa – o desemprego é alto e o endividamento não pára de subir.
Ontem, no plano financeiro, o regulador espanhol dos mercados (CNMV) fez mais um aviso sério à navegação: existem 14 fundos de investimento domésticos com dinheiro aplicado em activos ‘subprime’ (em Portugal, a CMVM também falou).
Luís Mira Amaral, gestor e ex-ministro da Indústria, frisa que se ocorrerem problemas mais sérios em Espanha isso afectará logo “as exportações nacionais de minerais e materiais destinados à construção”. Depois, há ainda o perigo de retracção no consumo das famílias espanholas, acrescenta. Nuno Ribeiro da Silva, presidente da Endesa Portugal, defende que há perigo de contágio da crise financeira “por via do peso que Espanha tem em Portugal”.
Embora afaste um cenário de colapso do imobiliário em Espanha, Jean-Michel Six, economista-chefe da Standard & Poor’s (S&P) que segue aquele mercado, sublinha que “a predominância de hipotecas indexadas a taxas de juro variáveis significa que os efeitos das taxas de juro mais altas deverão ser sentidos mais rapidamente” em Espanha do que no resto da Europa.
A crise do ‘subprime’ está a precipitar um forte aumento da taxa de juro mercado (Euribor, a que é usada nos empréstimos), que ontem atingiu 4,8%, o valor mais alto de quase sete anos. Para além disso, mesmo que a crise passe e as Euribor normalizem, é quase garantido que as margens praticadas pelos bancos (‘spreads’) vão ficar mais altas, reflectindo critérios de concessão de crédito mais apertados, esperam os especialistas.
O BCE continua a emprestar dinheiro barato aos bancos, mas voltou a indiciar anteontem que está a preparar uma nova subida de juros a 6 de Setembro, de 4% para 4,25%, o que aumentaria ainda mais as prestações bancárias. Resultado: os rácios de endividamento tenderão a crescer “particularmente em Espanha”, onde o sector imobiliário “poderá estar exposto a condições de crédito mais apertadas”, sublinha Eric Chaney, economista-chefe da Morgan Stanley Europa.
Jean-Michel Six sublinha ainda que “há já algum tempo que prevemos uma desaceleração do mercado imobiliário espanhol, e que isso terá um impacto no sector da construção”. “Estamos preocupados porque a construção tem um peso de 13% no emprego e um abrandamento forte terá implicações negativas”, juntou.
Um dos sinais já evidentes é a travagem a fundo na evolução dos preços das casas, o outro é a queda na construção, algo que no entender da S&P reflecte uma correcção “que poderá não ser inteiramente suave”.
Banca continua ávida por dinheiro
Os bancos da zona euro continuam ávidos por dinheiro barato. O empréstimo extraordinário anunciado pelo BCE, no valor de 40 mil milhões a três meses, apenas satisfez um terço dos pedidos feitos pelos bancos, indicou ontem o banco central. À operação concorreram 146 instituições, sendo que o valor requerido foi 60% mais elevado do que na última cedência de liquidez (também a três meses) realizada pelo banco central, no passado dia 25 de Julho. A injecção de liquidez visava “normalizar” o mercado, mas falhou o objectivo uma vez que as taxas de juro Euribor acabaram o dia em alta, aproximando-se dos 4,75%, o valor mais alto em quase sete anos. Desde que eclodiu a crise, o BCE injectou mais de 250 mil milhões de euros, quase 80% da liquidez oferecida por vários bancos centrais mundiais.
CMVM continua a investigar
A exposição directa dos portugueses à crise do ‘subprime’ é “muito reduzida”, reiterou ontem a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) em comunicado. No entanto, o regulador das bolsas prometeu que “dará conta de qualquer elemento informativo novo que se mostre relevante para os investidores”. Segundo a CMVM, até ao momento foram suspensos dois fundos de investimento em Portugal, o BNP Paribas Parvest Dynamic ABS e o WestLB Compass Fund, na sequência dos créditos malparados no ramo hipotecário de alto risco dos Estados Unidos. Até agora, a Comissão apurou 212 investidores em situação de risco, que investiram “aproximadamente” 19,5 milhões de euros.
BNP reabre fundos
Os três fundos que desencadearam a crise aguda do ‘subprime’ no dia 9 de Agosto vão ser reabertos, anunciou ontem o BNP Paribas. Em comunicado, o maior banco cotado francês, confirmou que o seu ABS Euribor e ABS Eonia voltarão ao mercado na próxima terça-feira, e que na quinta seguinte será a vez do Parvest Dynamic ABS. Segundo a Reuters, os fundos perderam quase 25% do seu valor entre 27 de Julho e 7 de Agosto, o último dia de negociação normal. A última cotação mostrava que os três fundos valiam 1,593 mil milhões de euros, mas o BNP já disse que o valor deverá continuar a cair entre 2% a 5%, mas avisa que estas estimativas poderão mudar por causa das condições do mercado.
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