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O Mercado de Trabalho em Portugal

Portugal perdeu 167 mil empregos qualificados

Luís Reis Ribeiro  
19/11/07 01:05


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O desemprego continua a crescer entre os licenciados. Segundo o INE, as profissões com menor valor acrescentado continuam a ganhar peso nos números nacionais.

Há cada vez menos empregos qualificados e o desemprego continua a crescer entre os licenciados em Portugal.

Desde que o Governo de José Sócrates chegou ao poder, no primeiro trimestre de 2005, foram criados 106 mil empregos, sublinhou o primeiro-ministro na passada sexta-feira, congratulando-se com os números do Instituto Nacional de Estatística (INE) relativos ao terceiro trimestre, divulgados nesse mesmo dia. O Governo socialista tem como meta criar 150 mil empregos até final da legislatura, pelo que o número é, numa primeira leitura, positivo.

Contudo, no mesmo período houve uma destruição de 167 mil postos de trabalho com maiores qualificações – dirigentes e quadros superiores, profissionais intelectuais e científicos e técnicos de nível intermédio. Segundo o INE, eram 1,372 milhões de trabalhadores no primeiro trimestre de 2005, mas recuaram para 1,205 milhões no terceiro trimestre deste ano. Uma quebra de 12%, que fez diminuir este tipo de empregos de 27% para 23% do total.

Os especialistas garantem que estas não são boas notícias, uma vez que mostram que o modelo de crescimento mais intensivo em tecnologia e inovação não permite resolver o problema estrutural do mercado de trabalho. A conclusão é que são os empregos de menor valor acrescentado – cafés, restaurantes, engomadorias, serviços de limpeza e manutenção, ‘call centers’, serviços de vendas, escritórios – os que mais contribuem para aliviar o grave problema do desemprego.

António Nogueira Leite, professor de Economia da Universidade Nova de Lisboa, considera que “o mercado de trabalho não está à procura de qualificações muito elevadas e deixou de recrutar um conjunto de profissões mais ligadas ao ensino”. Para além disso, “não são apenas os cursos de letras que têm poucas saídas profissionais; os licenciados em economia, gestão e direito também estão com dificuldades crescentes em encontrar trabalho”, observa.

Em compensação, os grupos profissionais menos qualificados ganharam peso, mostram os dados do INE. Neste contingente estão os trabalhadores dos serviços às empresas (empregadas de limpeza e seguranças, por exemplo), vendedores, pessoal administrativo, agricultores, operários, manobradores de máquinas e trabalhadores não qualificados. Em 2005 este tipo de emprego valia 73%, hoje está em quase 76% do total. Volvidos dois anos e meio de Governo, o pessoal dos serviços e vendedores aumentou quase 20%, os não qualificados 8%, os operários 12%, os agricultores/pescadores 4%.

Eduardo Catroga, empresário e economista, confere que há um “desajustamento crónico” entre a formação das pessoas e aquilo que as empresas procuram. Francisco Van Zeller, presidente da Confederação da Indústria Portuguesa (CIP), vai mais longe e assegura que só há criação significativa de emprego “nas áreas onde o valor acrescentado é mais baixo”, sublinhando que “não há investimentos com escala” nas áreas mais inovadoras e de alta tecnologia pois faltam pessoas com qualificações à altura.

Paula Carvalho, economista do Banco BPI, observa que “ainda estamos a viver os efeitos das más opções do passado”. “É preciso que os jovens estejam a escolher agora os cursos certos no contexto da actual política económica para que no futuro este problema se esbata”.


Um sinal preocupante dizem os analistas

António Nogueira Leite, Professor da Universidade Nova
“O Estado deixou de recrutar um conjunto de profissões, as ligadas ao ensino, por exemplo. Penso que o desemprego vai continuar alto e a criação de emprego baixa. Também não é possível mais, com a economia a crescer pouco [2%]”.

Francisco Van Zeller, Presidente da CIP
“As pessoas, mesmo as mais qualificadas, como os antropólogos, os licenciados em Jornalismo, em História, em Literatura, ou não encontram emprego ou estão a aceitar trabalhos mal pagos”.

Eduardo Catroga, Economista e empresário
“A economia portuguesa está num processo de reestruturação lento, mas que tem de continuar e ser aprofundado. Há uma série de profissões que as empresas procuram, mas para as quais não há pessoas com qualificações necessárias”.

Paula Carvalho, Economista do Banco BPI
A taxa de desemprego pode ter estabilizado em 7,9% da população activa no terceiro trimestre, mas subiu em termos homólogos, o que é um mau sinal. A economia continua a crescer pouco, logo a criação de emprego é insuficiente”.

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