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OPA à PT

Belmiro diz que espanhóis e franceses “são incompatíveis” na PT

Ignacio del Castillo, Expansión  
17/01/07 01:05


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Em entrevista ao Espanhol Expansión o presidente da Sonae fala da OPA e garante não saber “como o jogo vai terminar”. Sobre as rivais internacionais, Belmiro refere que a FT tem “todo o direito de seguir em frente”.

“São incompatíveis” na Portugal Telecom. Foi assim que Belmiro de Azevedo, presidente da Sonae, se referiu às gigantes France Télécom (FT) e Telefónica em entrevista ao jornal espanhol Expansión, hoje publicada.

Belmiro lembrou que a FT está presente no capital da Sonaecom com cerca de 20% do capital e tem “todo o direito de seguir em frente”. Quanto à Telefónica “não gosta de posições minoritárias, muito menos se tiver que partilhá-las”, acrescentou.

Até porque a Sonae tem outros planos para a Telefónica. Em causa poderá estar a troca da posição de cerca de 10% que a Telefónica mantém na Portugal Telecom (PT) pela parcela que a PT detém na brasileira Vivo, ficando a operadora espanhola com a operação do Brasil. Do pacote da negociação poderá fazer também parte a posição que a PT controla da marroquina Meditel.

O presidente da Sonae disse que não tem intenção de vender a posição da PT neste mercado, mas se tiver que negociar com a Telefónica “não será um problema”.

Belmiro de Azevedo lembrou, no entanto, que a Telefónica tem dito que só se pronunciará no dia da assembleia-geral de accionista da PT e por isso, apesar das duas administrações manterem conversas informais, “não se poderá fazer nada até à assembleia geral (...) mas provavelmente nesse mesmo dia falaremos”.

O dono da Sonae reconhece não saber “como vai terminar o jogo” mas diz que se tem que fazer uma “análise factual e não emocional”. Neste contexto Belmiro relembra que a Telefónica é a maior accionista da PT e sabe, por razões históricas, que nunca irá controlar a operadora portuguesa porque quando quis passar acima dos 10% o Governo disse que não. Além disso, a Telefónica não tem por tradição colocar muito dinheiro em posições minoritárias. É com base nestes argumentos que Belmiro acredita que a operadora espanhola votará “pela desblindagem dos estatutos da PT (uma das condições de sucesso para que a OPA avance)”.

Esta convicção é extensível à posição de alguns minoritários. “Há alguns accionistas minoritários que queriam bloquear a alteração de estatutos (que permitem a um accionista deter e votar com mais de 10% do capital) mas mudaram de opinião (...). Bloquear a alteração de estatutos é negativo e implica uma grande responsabilidade perante os restantes accionistas que querem vender e não podem”, referiu Belmiro na mesma entrevista.

“Na realidade acredito mais que quando se fala de bloquear se fala de preço”, acrescentou.

Na mesma conversa com o Expansión, o principal jornal económico espanhol, Belmiro falou ainda do facto do financiamento da operação estar totalmente assegurado e do preço, de 9,5 euros por acção, ser o certo. Sobre as sinergias que a Sonaecom retira da operação, voltou a manifestar a convicção de que o plano proposto e os remédios a implementar se traduzirão numa descida de quota de mercado (no móvel) e numa baixa de preços. “A nossa ideia é repartir as sinergias que obtivermos com os consumidores”, disse. Para o Governo deixou a mensagem de que a promessa de separação de redes da PT “é uma declaração de intenções”, contra  a da Sonae, que já afirmou que irá aumentar a concorrência.

Redução até 2.100 colaboradores em três anos
Na entrevista ao Expansión, uma das três que deu ontem em Espanha (ABC e El País), Belmiro de Azevedo deixou algumas mensagens ao Governo. O presidente da Sonae fez um contraponto entre o que é a estratégia definida pelo seu grupo e a estratégia apresentada pela administração da Portugal Telecom (PT) em algumas matérias. Belmiro referiu que a Sonae se comprometeu com a redução de 700 postos de trabalho por ano durante três anos, até um máximo de 2.100 empregos no total. O empresário lembrou que a administração da PT tinha anunciado o corte de cerca 3.000 postos à razão de 1.000 ao ano. Quanto à rede fixa, o dono da Sonae lembrou que a separação das redes é obrigatória, o que irá estimular a concorrência. Belmiro reforçou ainda a promessa de que acomodará as preocupações do accionista Estado na empresa, criando, segundo a Sonae, alternativas à ‘golden-share’ que hoje confere ao Estado o direito de voto em algumas matérias. Por esta razão, Paulo Azevedo, presidente da Sonaecom,  já tinha referido na segunda-feira em conferência de imprensa não ver razão para que a operação não tenha o apoio do Governo.

idelcastillo@recoletos.es


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