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Operação é feita hoje em bolsa

BCP vende 2% da EDP para melhorar contas

Tiago Freire e Sílvia de Oliveira  
20/12/07 01:05


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A venda do capital da EDP vai concretizar-se hoje e garante 330 milhões de euros. O Banco de Portugal assegura que não há problemas com a solidez e solvência do BCP.

O BCP vai vender a participação directa de 2% que detém na EDP, numa medida destinada a melhorar os seus rácios de capital.

Fonte contactada pelo Diário Económico explicou que a ordem prevê a venda da participação em bolsa e não a um investidor determinado, estando a posição avaliada em cerca de 330 milhões de euros, aos actuais preços de mercado. O objectivo da venda é, aproveitando a valorização dos títulos da eléctrica, reforçar os rácios de capital e aproximar o banco do objectivo definido no programa Millennium 2010, de chegar a esse ano com um rácio ‘core tier 1’ de 6%, no mínimo. Esse valor está, actualmente, perto dos 5,5%, não sendo esta operação suficiente para que esse alvo de 6% seja, desde logo, atingido.

Ao contrário do que chegou a ser noticiado ontem, a venda não se deveu a qualquer pressão por parte do Banco de Portugal, a quem cabe zelar pelo equilíbrio dos rácios dos bancos. “Não há nem havia problemas com o rácio de solvabilidade do BCP”, afirmou ao Diário Económico fonte oficial do Banco de Portugal.

Desta forma, a operação é encarada pelo BCP como mais um passo no cumprimentos dos objectivos do Millennium 2010, e não como uma solução para resolver qualquer problema em termos de rácios de capital, que continuam acima do legalmente exigido e “confortáveis”, na expressão utilizada por fonte oficial do banco.

O BCP deixa de ter uma participação directa na EDP mas mantém uma posição indirecta de 2,4%, detida pelo seu fundo de pensões. Ainda assim, não só não está em causa a parceria e o bom relacionamento entre BCP e EDP como fica em aberto a hipótese de o banco poder vir a adquirir, no médio prazo e dependendo das condições de mercado, uma nova participação directa.


Administração do BCP discute acusações

Ao que o Diário Económico apurou, o conselho de administração do BCP discutiu, na terça-feira, as acusações de que o banco é alvo por parte de Joe Berardo.  Foram analisados vários documentos, sem que se tivesse chegado a qualquer conclusão sobre a forma como lidar com o tema. Na administração há quem defenda que o banco deveria tomar uma posição pública de defesa,  visão que não é, por agora, consensual.


O exigente plano Millennium 2010
O maior banco privado português apresentou, ainda sob a direcção de Paulo Teixeira Pinto, os seus objectivos para o triénio 2007-2010. No campo do capital, que está em causa com esta venda da posição da EDP, o alvo é chegar a 2010 com um rácio ‘core tier 1’ superior a 6%. A nível de balcões e de número de clientes, os objectivos passam por abrir 700 novos pontos de venda, para um total de 2.100, enquanto os clientes deverão crescer dos actuais 4,4 para 5,8 milhões. O principal contributo para estes dados virá dos mercados internacionais, com Roménia e Polónia a protagonizarem as grandes apostas do grupo BCP. Dois terços dos novos balcões serão abertos fora do país.

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