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O candidato surpresa à liderança do BCP acredita que vai vencer e nega qualquer interferência política na formação da sua lista para o banco.
Nas últimas horas de 2007, enquanto conduzia o carro até ao local onde iria festejar a entrada de um novo ano, Miguel Cadilhe falou com o Diário Económico. Em entrevista, garantiu que se candidata à presidência do BCP para vencer e afasta qualquer interferência política na formação da sua lista.Porque é que só apresentou a candidatura no último dia?
Estive fora do país, voltei no domingo antes do Natal e não me tinha apercebido das coisas. Depois passei o Natal em família e só na quarta-feira [26 de Dezembro] é que me apercebi verdadeiramente da situação. A partir daí, esclareci e confirmei aquela que já era a minha convicção, de que não tinha tido nenhum envolvimento, no particular ou no colectivo, nas operações sob investigação. Tal, deixou-me em condições de avançar, o que só pude fazer depois de falar com o presidente da mesa da assembleia geral do BCP e com o governador do Banco de Portugal. O dr. Vítor Constâncio assegurou-me, na sexta-feira [28 de Dezembro], que o meu nome não consta em nenhum lado das investigações e o presidente da CMVM, dr. Carlos Tavares, também me disse o mesmo.
O que o move a candidatar- se à presidência do BCP contra Santos Ferreira?
O que me move é que está tudo mal neste processo, à nascença, no caminhar e até ontem [domingo], dia em que apresentei a minha lista. Está mal o procedimento do Banco de Portugal, a situação de ingerência política na vida interna do maior banco privado português, que ainda por cima é cotado. A ingerência política que levou os accionistas a aceitarem uma lista única. Os accionistas foram confrontados com a inexistência de alternativa e com a suposta inibição de antigos administradores do BCP. Só depois de ter falado com o dr. Vítor Constâncio e dos esclarecimentos feitos pelo Banco de Portugal, é que os accionistas do banco perceberam que não existe qualquer inibição.
Há uma tese que defende que só se candidata agora, depois de ter percebido que não tinha sido escolhido para a CGD.
Isso é um disparate. Tenho um acordo contratual com o BCP, um acordo escrito onde me comprometo a nunca ir para outro banco. Só poderia quebrar esse compromisso com consequências morais e materiais. Esse contrato foi assinado a 31 de Dezembro de 2001, quando deixei o conselho de administração do BCP, e é vitalício. É obvio que, a certa altura, se pode renegociar este acordo, mas isso nunca foi falado.
A sua candidatura é um acto de protesto ou também tem ambições de ganhar?
Não estou na vida para perder. Tenho razões de projecto e de honra para avançar.
Mas, neste momento, Santos Ferreira aparenta ter ao seu lado uma ampla maioria de accionistas. Será possível inverter a situação e ganhar?
Na vida dos negócios e dos contratos há um princípio fundamental: a alteração de pressupostos permite alterar a relação, a posição contratual. Os pressupostos que existiam antes eram os da lista única e da suposta inibição de antigos administradores do BCP. Ambos os pressupostos caíram.
Admite pedir a votação secreta na assembleia geral para aumentar a liberdade dos accionistas?
Tenho estado a pensar nisso e a tentar perceber qual tem sido a prática sobre essa matéria nas assembleias gerais do BCP.
Quais são os trunfos da sua lista?
Tenho uma lista forte, à altura do BCP e dos seus accionistas, sem interferências políticas. A decisão dependerá, apenas e exclusivamente, dos accionistas do banco. Defendo, aliás, que, como existe um accionista importante do BCP que depende exclusivamente do Governo, por ser detido a 100% pelo Estado, esse accionista se deveria abster na votação.
Fala da CGD. E a EDP, participada pelo Estado, também se deveria abster?
Não falei de nomes e não quero fazer mais comentários.
Porque é que a sua lista é melhor, conforme diz, que a de Santos Ferreira?
Não vou estar a comparar listas.
A ligação de Santos Ferreira e, sobretudo, de Armando Vara ao PS e ao primeiro-ministro são aspectos negativos?
Não me pronuncio sobre questões desse tipo.
Porquê? Pelo facto de também estar ligado a um partido, ao PSD?
Ora essa, não é por ser de um clube ou pertencer a uma associação que passo a estar inibido de exercer os meus direitos. A minha candidatura começou, aliás, por ser um acto isolado, de avaliação dos meus direitos, não recolhi apoios prévios, sou o único subscritor desta lista e não existe nenhuma espécie de interferência política.
E na lista de Santos Ferreira, houve?
É o que dizem os jornalistas e os analistas. Nem sempre os jornalistas têm razão, como não tiveram quando disseram que existia inibição, mas tenho de concordar que, desta vez, têm razão. Fiz o meu juízo e conclui que existe ingerência política.
O que será o futuro do BCP, se Miguel Cadilhe vencer as eleições?
Estamos a preparar um documento estratégico para apresentar aos accionistas, onde estará tudo aquilo que pretendemos fazer. Vamos tentar apresentar esse documento antes da assembleia geral; se tal não for possível, será em plena assembleia geral.
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