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Comunidade
O Presidente da Venezuela aterra hoje em Portugal e reúne-se com Sócrates.
Os Estados Unidos estão atentos aos passos de Hugo Chávez, que hoje passará por Portugal para um jantar com José Sócrates. Mas a visita não incomoda, garante o embaixador dos Estados Unidos ao mesmo tempo que vai vincando, em tom de alerta, a necessidade “do respeito pela democracia”. Até na política energética.Classificou de “perigosa” a relação da Galp com a Petróleos da Venezuela e com a Gazprom. Acha estranho que o primeiro-ministro português receba o Presidente Chavéz ?
Portugal e os Estados Unidos partilham uma tradição de respeito pela democracia, e nós estamos empenhados em promover os valores democráticos na região e no mundo. Portugal, enquanto estado soberano e actualmente na presidência da UE, tem obviamente o direito de tomar as suas próprias decisões acerca de como melhor fomentar o respeito pela democracia e nós aceitamos isso. Pela nossa parte, vários representantes do governo americano já condenaram inúmeras vezes, tanto em público como em privado, os esforços para limitar as liberdades democráticas na Venezuela.
O presidente da Galp respondeu ao seu comentário dizendo que existem duas petrolíferas norte-americanas a fazer negócio na Venezuela (Texaco e Chevron).
Nenhum país compreende melhor do que os Estados Unidos o valor da segurança energética, razão pela qual estamos a tentar diversificar as nossas fontes de energia e também proteger o ambiente. Mas a política energética não pode entrar em contradição com o respeito pela democracia, pelos direitos humanos e pela prosperidade das populações. Como disse o Presidente Bush, os Estados Unidos desejam que “as Américas sejam uma região onde a dignidade de cada um é respeitada, onde todos têm um lugar à mesa e onde as oportunidades chegam as todas as comunidades e a todas as casas”.
Causa algum ruído entre Portugal e Estados Unidos esta relação política e comercial de Lisboa com a Venezuela?
Não.
Como viu o recente incidente entre o Rei de Espanha e o presidente venezuelano?
Cabe ao Rei de Espanha falar sobre esse assunto. O que eu gostava de realçar é aquilo que o Secretário de Estado Adjunto americano para os Assuntos do Hemisfério Ocidental, Tom Shannon, tem repetidamente enfatizado: os Estados Unidos estão disponíveis para manter uma relação positiva com a Venezuela, mas o Presidente Chávez já deixou claro através da sua retórica que, pelo menos por agora, não reconhece valor a este tipo de abordagem. O que é mau tanto para os Estados Unidos como para a Venezuela.
Espanha desvaloriza encontro de Chávez com Sócrates
‘No pasa nada’. Na embaixada de Espanha vive-se com tranquilidade esta passagem do Presidente venezuelano por Portugal, que inclui um jantar com quem diz ter por “melhor amigo político” o primeiro-ministro espanhol: o homólogo português, José Sócrates. E isto apesar da tensão diplomática entre Espanha e Venezuela, depois de o rei espanhol ter mandado calar um Hugo Chávez empenhado em atacar Aznar, na cimeira ibero-americana. O incidente foi relevado por Chávez que lançou o aviso: “Neste momento estou a submeter a uma profunda revisão as relações políticas, diplomáticas e económicas com Espanha”. O conselheiro de imprensa do embaixador, garantiu ao Diário Económico que “não há nada a dizer” sobre uma visita que “não preocupa” Espanha e que Enrique Calpe terá hoje uma “agenda normal”.
Petróleo e gás natural ao lanche e comunidades ao jantar
Hoje ao fim da tarde, José Sócrates reúne-se com Hugo Chávez em São Bento, seguindo-se um jantar para o qual o primeiro-ministro chamou também o ministro da Economia e o secretário de Estado das Comunidades. E isto porque se o encontro entre Sócrates e Chávez se debruça sobretudo sobre a situação da “comunidade portuguesa na Venezuela” (1,5 milhões de pessoas), durante a tarde a hora será de outros negócios. O ministro Manuel Pinho assinará com o ministro da Energia e do Petróleo venezuelano um acordo complementar ao memorando de entendimento assinado em Outubro, com a Petróleos da Venezuela, para a área da pesquisa e produção de petróleo e para o gás natural.
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