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Banca

Berardo diz que existe "fraude de colarinho branco" no BCP

DE  
08/08/07 09:02


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O empresário Joe Berardo criticou os gastos excessivos do BCP com membros dos seus órgãos sociais, especialmente com o presidente do conselho geral e de supervisão, acusando que existe uma "fraude de colarinho branco" no maior banco privado português.

Em entrevista à SIC Notícias, Berardo deu como exemplo dos gastos excessivos o facto de o fundador do banco e actual presidente do conselho geral e de supervisão, Jorge Jardim Gonçalves, ter ganho 50 milhões de euros do banco, apenas em um ano.

Berardo, que é accionista do Banco Comercial Português (BCP), com uma participação de 6,8%, considera que a situação que se vive no banco é inaceitável e diz que existe uma "fraude de colarinho branco".

"A polícia e a CMVM [Comissão do Mercado de Valores Mobiliários] têm de levar isto a sério. Isto não pode acontecer", afirmou.

As declarações feitas por Berardo têm como pano de fundo a situação interna tensa no BCP, com divergências públicas que opõem o presidente do conselho de administração do banco, Paulo Teixeira Pinto, e o fundador da instituição e presidente do conselho geral e de supervisão, Jardim Gonçalves.

As duas facções internas são apoiadas por diferentes accionistas e Berardo integra o grupo dos que apoiam as propostas de Teixeira Pinto, tendo votado, na assembleia geral de 28 de Maio, contra as propostas de Jardim Gonçalves que dariam maior poder ao conselho geral e de supervisão, inclusive o de nomear o conselho de administração.

Na entrevista, depois das críticas aos gastos com membros dos órgãos sociais, Joe Berardo afirmou que "Jardim Gonçalves quer voltar ao poder [no BCP] para poder retirar benefícios financeiros pessoais".

Este responsável referiu-se também a Pedro Teixeira Duarte, um dos maiores accionistas do BCP e apoiante de Jardim Gonçalves, insinuando que este necessita do apoio do banco para deter o poder na cimenteira Cimpor, na qual detém menos de um terço do capital, e o BCP controla, directa e indirectamente, cerca de 10% da empresa.

O empresário afirmou também que foi abordado diversas vezes pelos accionistas que apoiam Jardim Gonçalves para vender a sua participação no banco.

Estas declarações foram feitas um dia depois de a assembleia geral extraordinária do banco, que se realizou no Porto e se pensava que clarificaria as relações de poder na instituição, ter sido suspensa até 27 de Agosto, devido a problemas informáticos.

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